sendo as palavras dele...

"...é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequencias dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-los, para congratular-nos, ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade que tanto se fala..." pg84

de ensaio sobre a cegueira

Meus dias de meia-noite

E tanta coisa além disso que se fosse pra contar.
Olho no relógio e tenho a exatidão do tempo, tão inexata que só ela:
" Meia-noite" e seus quebrados.
Meia-noite em mim, só metade.
Meias verdades, meias mentiras.

Era Oswaldo que separava, "Metade de mim, a outra também"
E um reflexo meu tão turvo sem espelho e com o outro lado mais ainda...

Eu que tão sozinha e cheia de acompanhantes, vou seguindo essa meia-noite pela metade.
Tão inexplicavelmente completa, que só ela.

(no subject)

Começo esse post ao som de Alan Jackson, um country de leve daquele tipo que você já ouviu em algum lugar mas que nunca parou para prestar muita atenção, até que um dia, você está no carro do seu amigo e ele começa a cantar loucamente, ou melhor, calmamente (porque não dá pra cantar loucamente esse tipo de som), e então eu pergunto a respeito. E agora estou eu, aqui mas com a sensação de estar num rancho no fim de tarde, com rede na varanda, amigos e o tempo passando devagar.
E o tempo passando devagar...coisa que não aconteceu, pelo menos não por essas últimas semanas e vejo que, talvez seja porque é como dizem que depois que você chega na adolescência o tempo acelera. Mas acredito que, o tempo nunca parou pra mim, não mesmo. Mas tento viver sempre pra dizer que estou aproveitando o melhor de cada instante, ou pelo menos não o desperdiçando (embora as vezes seja impossível)
Eu de sol em sol, animada não sei porquê, triste sabe se lá e nos meus picos habituais.

Agora me sinto bem, só por me sentir mesmo
só pra ser contrário ao fato de qualquer outra coisa.

Mas recomendo mesmo Alan Jackson, pras tardes na varanda; Suede, pras noites de tédio nostalgicas; Simple Plain, pra revolta apaixonatônica adolescente, The Beatlles, pras sensações inglesas, Nando Reis para aventuras de última hora e Tribalistas, pra cantar junto!

(no subject)

algumas filosofias semanais...


se eu sou paga pra trabalhar por 8 horas diárias e eu trabalho 10 sem ganhar nada a mais por isso, eu estou prostituindo meu trabalho, certo? não quero fazer promoção da minha vida todo dia, obrigada.
mas tem coisas que, por razão uma ou outra, acabam não condizendo com sua realidade e você acaba tomando posturas que não gosta em busca de conseguir atingir seus objetivos.
me lembrei de uma das frases que eu gosto de 'blecaute': "o tempo não precisa ser medido"
acrescentaria: o tempo não precisa ser medido, precisa ser vivido, aproveitado...

e por isso que, nessa semana cheia de motivos pra não viver, apenas existir, eu tentei manter um bom humor (as vezes foi impossível), pelo menos tive boa compania, né? =)


não falando de outra coisa que na verdade é a mesma, sendo ambas minha vida, as vezes tenho a impressão de que, quando olho certas fotos e determinados rostos , já conheço o meu futuro, tão claro como incerto, mas eu já tenho algumas certezas. não sei se isso é bom ou ruim, não sei nem mesmo se é verdade, mas enfim...

sonhei que perguntavam quantos anos tinha eu, dizia 19, depois eu pensava e dizia 21, que é minha idade.
e o tempo (o que não se mede) passa voando (como latecoere).

Vamos pra avenida desfilar a vida...

Fato esse que eu sou um absurdo e essa é a terceira vez que eu estou tentando postar alguma coisa aqui e estou ouvindo Carnavália muito feliz, adoro os tons dessa música, me anima muito.
Terceira vez essa porque sou absurdo, além de repetição e vê que quando quero dizer muito sobre alguma coisa e não posso porque ao mesmo tempo acho que não quero, fico tentando dizer qualquer outra coisa que vá esconder a lacuna, mas eu nunca fui boa em esconderijos.
E de fato, esse meu postar não passa mesmo do preenchimento da lacuna, por eu não estar dizendo, mesmo pensando e como diria os hermanos, que não dizer já é pensar, então eu digo que penso (eu não tô fazendo nada, você também)  eu escrevendo e você me lendo, ao mesmo tempo! Sendo tempos diferentes, um grande absurdo. Carnavália de novo..
Mas já te passou eu querer dizer não dizendo? E assim tudo fica um incomodo, que coisa.. na verdade isso me acontece frequentemente, eu sou uma menina cheia de complexo e cheia de dizeres, adoro falar, mas as vezes falo demais.

Acho.
Vou ouvir Victor e Leo, sim, Victor e Leo.
Ando com meus gostos bem estranho e populares, mas faz bem pra minha profissão (?)

Às vezes me desencontro, afinal de contas...

Será que você vai saber o quanto penso em você?

Uma sala branca, vazia.
As mãos no quinto azulejo de cima.
Branquissímo.
Branquissíma.
Ali tudo é branco, seus pensamentos que não.

Dá pra ouvir um som e identificá-lo, mesmo distante.
E a música influencia como e mais que tudo.
Coisas que não faria, se o silêncio estivesse.
Mas ela ouve e, ouvindo, ela age, ela se parte, ela se trai.
Ouvindo ela comunica, quebra o mistério e assim ela é fraca.

Seu mundo é um fragmento.
Seus problemas são a fome das 3 da tarde e o dia que não sorri.
Tudo é eternamente insignificante.
Seu coração é um estranho que não prima o sentimento, é quem desconhece a alma.
Talvez ela não saiba, ou saiba, ou ache que saiba, dos porquês das companias e o porquê das faltas.
Talvez ela quem sabe, mas não se sinta.
Se sente como ela, paredes brancas, azulejo branquissímo.
E o vazio.
Que é negro.

Mas já conheço essa história (que é outra)
seu final não é feliz.

E qual história? Qual não é...
Tudo sou eu, tudo é meu caminho
E eu sou, definitivamente, uma eterna repetição.

eu tenho medo de mim

são paulo me faz pensar, muito.
é íncrivel o que que pisar no tietê faz comigo, talvez pelas muitas lembranças.
são fantasmas não são? percorrendo cada corredor, cada ponto..a cada risco que corro.
é quase uma nitidez ver alguém me esperando no portão de desembarque, ver outro alguém no balcão de informações perguntando do meu ônibus, inevitável lembrar da escada-rolante de lá, daquele ponto perto do guichê da passáro marron ou no exato pedacinho, após a catraca, do metrô sentido jabaquara. o canto do embarque, os bancos de espera, a livraria que tem na esquina antes do corredor do metrô, à espera numa mochila, o relógio gigante, a propaganda da viação cometa, a plataforma 36, tabacaria, metrô pro tucuruvi, essa rodoviária tem tanta história em mim. tem tanta gente em mim que chego a me apavorar.
ficou por ali um vestígio desses anos todos (e de outros além), do tempo corrido, dos amores vividos, das amizades feitas.

mas são paulo me faz pensar tanto que eram outras minhas palavras, eram tantas.
aliás, bem lembrei, que essas que não disse, eu pensei antes do tiête, era um texto (mais um mal escrito) sobre o como acredito que cometemos muitos erros, eu e você, a gente se estragou... é uma pena. fico triste de uma tristeza que é eterna, mas sempre enfio um sorriso por cima.
falando assim pareceu meio dementemente depressivo mas nem, é mais um conformismo amargurado.

vai saber...
mas me portei muito bem na sua ausência
juro!

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

quem saberá, mais do que eu, da minha própria existência?
e mesmo assim me desconheço...

estranha essa vida
vim embora pensando nas psicolo-socio-filosofias da vida e, assim como elas, não cheguei a conclusões concretas, definindo como concreto como algo que se prove...mas pensando que, até mesmo o que há de ser mais concreto.. vai me acabar num mistério.
e mesmo sabendo que eu um dia morrerei, porque pára de funcionar meu corpo (e minha alma, sabe-se-lá se existe, sabe-se-lá pra onde vai), mas porquê morro? porquê vivo? porquê acho comum entrar numa caixa de metal e ir de um patamar de um prédio para outro mas acho tão estranho se essa mesma caixa me teletransportasse...seria ir tão longe?

e aquela velha história, tão apavorante, que a gente ignora:
se tudo surge de alguma coisa, como é que tudo que se chama existência surgiu um dia do nada? como surgiu a primeira 'coisa' se não de coisa nenhuma?


mas, afinal de contas, vai me dizer o pessoa:
"o único sentido íntimo das cousas
é elas não terem sentido íntimo nenhum"

mesma rotina ( que nesse ela cabem tantas outras)

meus olhos fixos na letra de um livro, o vento se movimenta. percebo alguém ao meu lado, ela de novo.
inquieta com meu virar de cabeça automático, ela improvisa um "licença", senta-se.
sentamo-nos, continuo lendo, ela liga o mp3.
o ônibus começa a seguir seu destino, assim como nós, habitualmente, e eu pensando na dificuldade dela de não acabar com a vista no meu livro, de curiosidade (faço muito isso, acho que todo mundo poderia ser assim), mas não percebo nada, ela no seu som, eu na minha leitura.
nossos ombros roçam-se de novo. (eu vou casar com os ombros dela!) mas ela parece ser séria demais, seus lábios são finos, compridos.
penso nela lendo tudo que escrevo agora, seria espanto? tanto reparo?! mas reparo em tanta gente, se eu fosse escrever... (posso fazer uma série depois, quem sabe, sobre o cotidiano de pessoas no ônibus, meus amigos de mesma-rotina)
continuo lendo, mas com o pensamento do lado. e ela ouvindo, com o pensamento sei lá onde.
seu tênis hoje é nike, as vezes ela usa aquelas botas que meio que já sairam de moda, ela nunca usou all star (não que eu tenha visto), acho triste.
o livro estava interessante, devo admitir, fez com que o tempo passasse rápido e logo o ônibus desacelerar e parar.
ainda tive o tempo de reparar no seu relógio, ela olhou as horas, era preto, esporte, e uma fina linha rosa. sua calça de marca, jeans, detalhe verde limão e o piecing discreto no nariz.
nosso ombros pela última vez, ela pára em minha frente, levanta e espera pra sair enquanto eu penso: será que ela será compania pra tantas indas e vindas e nunca diremo-nos 'olá'? não sei. talvez não. faz parte do filme da vida, alguns são só coadjuvantes.
então a vejo saindo de relance, que ela tenha uma boa noite, que eu tenha também, que ela tenha esses olhos sempre misteriosos, sempre verdes.

não se trata de platonismo, nem de obsessão...
julgo apenas observação e relato de pensamentos.

sinto pela falta de escrever aqui mais vezes, maldito marcador de horas!!